Trabalho de campo para a disciplina Identidade e Cultura ministrada pela Profª Dra. Ana Maria Dietrich na UFABC

Resultado das Pesquisas

Comparando as informações obtidas nas entrevistas pode-se notar alguns pontos de convergência entre todas as mulheres.

Durante as conversas foi dito que todas elas já trabalhavam registradas, porém largaram para poder passar mais tempo com a família, por terem filhos pequenos.

Com a vivência elas todas chegaram a conclusão de que o trabalho doméstico não é valorizado pelas famílias, começando assim, a sentirem falta da sensação de utilidade que o trabalho remunerado passa. Essas sensações, somada a necessidade de aumentar a renda familiar, fizeram com que elas procurassem uma atividade que agradasse aos seus gostos e pela qual pudessem gerar renda, porém sem deixar de realizar o serviço doméstico-familiar, encontrando assim, na atividade culinária autônoma, uma alternativa que suprisse tais requisitos.

No decorrer de tal atitude empreendedora, elas foram descobrindo as vantagens e desvantagens do trabalho autônomo, como a flexibilidade de horários, que pode fazer com que elas percam o controle sobre os seus horários e passem noites sem dormir, a responsabilidade da auto-gestão, que pode causar problemas na administração da parte financeira do trabalho, o exercício de todas as funções do trabalho: dona, patroa e funcionária, que pode sobrecarregar a pessoa, o estabelecimento dos preços dos produtos, que necessita de um feeling econômico e a constante necessidade de se atualizar e superar umas as outras, já que todas podem ser encaradas como concorrentes.

Apesar de toda a responsabilidade e novidade que o empreendedorismo e a atividade autônoma traz à quem nunca esteve nesta situação, todas elas não trocariam o trabalho atual por uma atividade assalariada, pois na visão delas, não é a regularidade da renda que mais importa, mas a felicidade obtida com o serviço.

A família influencia a vida dessas mulheres de três formas: o modo com o qual foi transmitido o legado da culinária, a total dedicação de suas vidas ao lar e com o apoio (ou a falta deste) de seus cônjuges.

Portanto, são mulheres batalhadoras, sonhadoras e insatisfeitas com o marasmo e a monotonia, que procuram sentido na vida, e a valorização, sem perder sem momento algum a essência da identidade matriarcal, que zela e se sacrifica pelos seus.


Vídeo com a compilação dos "momentos-chave" das entrevistas, onde muitas das opiniões exibidas foram comuns a todas as entrevistadas. Como não temos muita experiência em edição de vídeo a parte técnica da compilação está em "nível amador".

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