Trabalho de campo para a disciplina Identidade e Cultura ministrada pela Profª Dra. Ana Maria Dietrich na UFABC

Relatórios das Manifestações Culturais

Como os integrantes do nosso grupo foram em manifestações diferentes, colocaremos aqui os diferentes relatórios referentes a cada passeio.

Mercado Municipal Paulistano 


Integrantes:  Adriéli Cândido, Arianne Cendi, Artur Zavitoski e Murilo Donizete

Escolha do evento: Durante uma conversa sobre passeios que poderíamos fazer como entretenimento, surgiu a ideia de irmos ao Mercado Municipal Paulistano e comer o famoso sanduíche de mortadela, já patrimônio do local. Pensando em visitar o “Mercadão” e a necessidade em realizar uma saída para alguma manifestação cultural, decidimos juntar ambas as coisas.

Ida: Combinamos de nos encontrar na estação de trem prefeito Celso Daniel em Santo André às 11h30, para seguirmos de trem até a estação Tamanduateí e pela linha verde do metrô fomos até a estação Ana Rosa, seguindo depois pela linha azul até a estação São Bento. De lá, caminhamos durante cerca de 5 minutos, chegando lá por volta das 12h40.

Onde fica: Rua da Cantareira, 306 – Sé 
Localizado no Centro Histórico de São Paulo - onde também se encontram diversos marcos da cidade, como: a Catedral da Sé, a Rua 25 de Março, a sede do Tribunal de Justiça de São Paulo, a Bolsa de Valores BM&FBovespa S.A., o Mosteiro de São Bento e o Edifício Altino Arantes (Banespa), entre outros - o Mercadão é um ponto tradicional, turístico e comercial, cuja peculiaridade pode ser reconhecida por cada pessoa que o visita.

Tempo de Duração: A nossa estada dentro do Mercadão durou cerca de 2h30.

Comportamentos: Os consumidores que vão ao local se comportam como se estivessem numa feira, onde comprar/consumir é apenas uma parte das relações do local, já que o Mercadão também é tido como ponto de encontro, de distração e de lazer. O fluxo de pessoas circulando dentro do local chega a ser quase caótico, já que não há um roteiro, ou acordo pré-estabelecido, que estabeleça a direção que as pessoas devem seguir lá dentro; assim como numa feira, cada um vai para onde quer, deixando o observador sem saber se elas estão indo ou vindo.
Por também se tratar de um local de encontro informal entre as pessoas, famílias, grupos, entre outros, notou-se o uso de roupas adequadas a tais tipos de encontros: camisetas, manga-curta e regata devido ao calor do dia, bermudas/shorts, tênis, bonés, óculos escuros...
Uma impressão que ficou em todo o grupo ao subirmos para o mezzanino do Mercado, onde ficam os restaurantes, foi de que lá havia uma sensação elitizada, como se a parte de baixo fosse destinada aos populares e a de cima aos mais abonados financeiramente. Talvez tal impressão se deva ao fato de que na parte de cima havia cadeiras para todos, enquanto na parte de baixo, achar uma mesa para apoiar os alimentos já estava difícil. Ou ao fato de que poucas pessoas pediam ”licença” para passar ( mostrando assim talvez certo ar mais esnobe daquela região).

Relação com a matéria: Diante do exposto durante as aula, conseguimos observar a forte influência da memória nos vários espaços do mercadão, como por exemplo as barracas de famílias italianas, portuguesas, etc. Nestes espaços observamos como a memória manteve-se, nos produtos oferecidos e na arquitetura do ambiente. Além da memória, a grande variedade de identidades encontradas no local é incrível. Um mosaico de personalidades, atitudes, pensamentos, roupas, credos e línguas se misturam em meio ao todo tipo de produto, da fruta às joias. Vimos pessoas que frequentam poucas vezes durante a vida o Mercadão e também pessoas que realmente consomem frequentemente os produtos daquele local. Graças à isso fica difícil dizer que aquele local tem uma identidade restrita, definida, o que tornou mais rica ainda nossa experiência. 

Volta: Após a saída do Mercado, decidimos dar uma volta pela Rua 25 de Março. Logo só realmente voltamos, extenuados, para casa por volta das 16h, utilizando as mesmas conduções da ida. E ainda decidimos ir ao cinema, ou seja, foi bem proveitoso e cansativo o dia!
Sensação do dia seguinte: Exaustão, corpo cansado e lembranças do dia anterior - das risadas que compartilhamos e das coisas e pessoas que observamos durante o passeio,
como um vendedor ambulante de coco queimado repleto de bom humor ou a trilha sonora da Rua 25 de Março com uma incessante música do “Rei Roberto Carlos” (inclusive na versão forró), ou mesmo o tamanho do lanche que comemos e as fotos que tiramos para registrar a aventura.


Obs.: “Visita obrigatória para turistas de todo o Brasil e de outros países, o Mercado Municipal Paulistano é um dos mais tradicionais pontos gourmet da cidade.
E não é para menos. No Mercadão, como é carinhosamente conhecido pelos seus frequentadores, é possível encontrar de verduras, legumes e frutas fresquinhas, passando por carnes, aves, peixes e frutos do mar, a massas, doces, especiarias e produtos importados de primeira linha.
Isso sem falar no espaço gastronômico, que oferece a oportunidade de degustar saborosos pratos ali mesmo, enquanto se aprecia a beleza arquitetônica do Mercadão.
Projetado pelo escritório do arquiteto Francisco Ramos de Azevedo em 1926, o Mercadão foi inaugurado em 25 de janeiro de 1933. A execução dos vitrais foi entregue ao artista russo Conrado Sorgenicht Filho, famoso pelo trabalho realizado na Catedral da Sé e em outras 300 igrejas brasileiras. Ao todo, são 32 painéis subdivididos em 72 lindos vitrais.
O prédio – que ocupa um espaço de 12.600 metros quadrados de área construída às margens do rio Tamanduateí – abriga mais de 1.500 funcionários que, juntos, movimentam cerca de 350 toneladas de alimentos por dia em seus mais de 290 boxes. Os permissionários – nome que se dá ao lojista ou comerciante que tem a permissão de uso do espaço para comercialização dos produtos nos boxes do Mercadão – têm seus interesses representados pela Renome, uma associação de direito privado, constituída por tempo indeterminado e sem fins lucrativos.”
http://www.mercadomunicipal.com.br/

MASP 


Integrante: Taís Malta

1. Escolha do evento (como se deu)
Escolhemos o Masp (Museu de Arte de São Paulo) por ser um local de fácil acesso e porque às terças feiras era gratuito.

2. Ida (processo), que horas, tipo de condução?
Fomos ao Masp de metrô, no período da tarde, por volta das 14h.

3. Uma vez lá:
a. Onde fica, o que tem no bairro:
O Masp fica situado à Av. Paulista, centro financeiro, cultural, histórico e ícone da cidade de São Paulo.

b. Quanto tempo durou
Cerca de 3h, entre chegar, observar a manifestação no vão livre, ver as exposições que nos interessaram e esperar a chuva passar.

c. Comportamentos, atitudes, vestimentas, grupos, posturas(dançam, falam alto, tossem,
paqueram, bebem o que), códigos (arquibancada verde ou azul), preço (caro, barato).

Assim que chegamos à entrada do Masp, estava ocorrendo uma manifestação devido ao feriado do “Dia da Consciência Negra”, no vão livre do Masp estavam diversas pessoas , em sua maioria negra, num ato de defesa das cotas raciais e contra os assassinatos dos negros.
Num palanque, alguns dirigentes diziam palavras de manifestação enquanto o público gritava concordando. Haviam diversas pessoas tatuadas, de estilos exóticos, e muitas no estilo reggae. Ficamos observando a manifestação por um tempo e depois resolvemos entrar no Masp. Dentro do Museu, a situação era totalmente diferente, as pessoas observavam aos quadros de forma silenciosa, era um ambiente mais sério com pessoas de diversas idades e características.
Acreditamos que por ser um dia gratuito na entrada do Masp, existiam pessoas de todas as classes sociais, idades e até mesmo de fora de São Paulo, pelo que pudemos observar. Primeiramente, vimos uma exposição sobre o Renascimento Alemão e depois vimos uma exposição sobre a

4. Relação com Identidade e Cultura:
Nossa atividade teve relação com o curso, porque primeiramente pudemos observar, no vão livre do Masp, os traços do próprio feriado da Consciência Negra, um público em sua maioria negra lutando pelos seus direitos e mostrando porque a cultura dos negros podem ser muitas vezes diferente dos brancos. Uma dirigente mostrou como através da história dos negros no Brasil, podemos compreender o presente da situação negra: a maioria que morre hoje no Brasil por violência é negra.
Depois dentro do Masp pudemos observar um público totalmente diferente mais interessado na arte do que na situação dos negros em nosso país. Ou seja havia um público com culturas totalmente diferentes reunidos no mesmo local. Isso é o reflexo do que é a cidade de São Paulo, um encontro de diferentes identidades e culturas.

5. Volta (que horas, condução, se chegou cansado, emendou outro programa).
Saímos do Masp por volta das 18h, esperamos a chuva passar e fomos de metrô até o Shopping Metrô Santa Cruz onde assistimos um filme e jantamos. No fim do dia, não estávamos tão cansados por ser feriado.

6. Sensações no dia seguinte
No dia seguinte, relembrei o passeio e senti ter aproveitado meu feriado de uma forma culta.

Museu Barão de Mauá


Integrante: Dayane Cardoso

1- Escolha do Evento
Fomos ao Museu Barão de Mauá

2- Ida (processo)
Fomos de ônibus, porque é na cidade em que moro, em um sábado no período da tarde, o tempo parecia meio obscuro, e nos avisava um temporal.

3- Uma vez lá:
a)    Onde fica, o que tem no bairro;
O museu fica no centro da cidade de Mauá, contudo é quase invisível, por ser um casarão de modelo antigo, permanece escondido atrás das árvores e dos prédios ao redor. Fica próximo a hospitais, bancos, escolas, etc. O museu fica em uma esquina, ou seja é um cruzamento aonde praticamente todas as pessoas que moram na periferia e vão em direção ao centro da cidade precisam passar, ou seja, é um local muito movimentado e de fácil visualização.

b)   Quanto tempo durou;
Foram duas horas lá dentro, e pudemos ver e rever todo o acervo de fotos do museu

c)            Comportamentos, atitudes, vestimentas, grupos, posturas, códigos, preço…
Por ser um dia de semana, o museu estava vazio, com apenas funcionários, a entrada é franca, e ao entrar lá dentro nos deparamos com fotos e quadros da região a muito tempo atrás. A história suposta da conservação do local é pela sua fama de “Casa do Barão”, apesar de a visita do mesmo nunca ter sido comprovada. Pudemos ver também fotos da antiga biblioteca de Mauá, que é aonde hoje funciona a Câmara Municipal.
A famosa igreja da Matriz, hoje cercada por prédios, só tinha árvores e pessoas ao redor. A estação ferroviária ainda não era coberta totalmente, e os homens usavam chapeis. A Estação Rodoviária do Jardim Itapeva, que é aonde desde criança pego ônibus e todos os dias, era no meio do barro, e não existia nem metade dos comércios de hoje.
Percebe-se que o zelador do prédio estranha-se com alguma visita, e ele afirma que a entrada sendo franca, já não possui muitos visitantes (a não ser escolas de ensino fundamental que promovem visitas  de seus alunos), se fosse cobrado, não teria visitantes praticamente.
Contudo o Museu possui uma série de acervos de diferentes objetos, fotografias (foram as que me encantaram), livros, entre outros.

4- Relação com Identidade e Cultura;
Podemos relacionar fortes traços identitários no museu, e do quanto preserva a história de quem um dia ali viveu, resgatando as memórias de um local transformado pela urbanização, com novas construções.
Apesar de o hoje denominado Museu Barão de Mauá estar localizado em um local muito movimentado, pode ser perceber o quanto os vestígios de sua memória estão apagados, e o quanto faltam investimentos para sua preservação. Apesar de recentemente (Outubro/2012) a Azkonobel ter realizado projetos de reformas no local, percebe-se o descaso da população e da prefeitura com seu patrimônio histórico.
O mesmo acontece coma Gruta Santa Luzia (nascente do Rio Tamanduateí), local muito visitado por mim quando criança, já foi mais preservado, e pode ser considerado também um patrimônio e guardador de memórias, mas esta entregue ao tempo e ao seu desgaste.

5- Volta
Na volta, peguei ônibus, e apesar de ser perto de casa, estava lotado, portanto foi muito cansativo.

6- Sensações no dia seguinte
Foi engraçado perceber quantas vezes passei em frente daquele local, e nunca sequer notei sua existência, e nunca considerei válida a visita ao local, mesmo tendo crescido na cidade. Muitas vezes estamos tão presos ao cotidiano, a nossa rotina, que não vemos o que esta a nossa frente, o que nos pode agregar história, ou seja, as nossas origens.

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