Em nossa pesquisa de campo pudemos perceber fortemente que todas as
mulheres entrevistas abriram mão de seu trabalho registrado para outras
coisa que não elas mesmas. A maioria abriu mão de sua própria
identidade para se dedicar aos filhos, ao marido e ao lar. Como
observamos em Hobsbawn, no momento em que na Revolução Industrial o
trabalhador perdeu sua identidade,sendo agora parte de uma massa, suas
características pessoais foram perdidas, dando lugar ao sentimento de
ser apenas mais um em meio a tantas ferramentas industriais. O
trabalhador era mais como uma peça necessária ao funcionamento de uma
gigantesca indústria.
No nosso trabalho, da mesma forma as mulheres apresentadas deixam suas características de lado para se dedicar ao trabalho informal e a família. Como uma das entrevistadas disse "primeiro é marido, filho, casa, se sobrar tempo é para você".
A nossa entrevistada Expedita, antes de entrar no ramo da culinária, costurava com a mãe, porém, um fato muito triste em sua vida fez com que a mudança de ramo ocorresse, o falecimento da mãe.
A partir deste fato pode-se fazer uma relação com o que o foi visto em aula sobre memória, quando foi nos apresentado o texto "Entre Memória e História: a problemática dos lugares" de Pierre Nora.
Aprendemos as diferenças entre história e memória e que esta se encontra em crise, uma prova disso é a compulsória necessidade de se arquivar os acontecimentos nos lugares de memória e também que a memória é afetiva, mágica, descontinua e que está vinculada ao espaço e ao tempo.
Apenas lembramos o que nos marca afetivamente, tanto fatos positivos, quanto fatos negativos. Isso ocorreu com a nossa entrevistada, a memória da mãe estava fortemente vinculada ao lugar em que elas juntas trabalhavam, logo nela surgiu o interesse de se desfazer dos elementos que lembram a sua mãe com o objetivo de diminuir a saudade que sente dela.
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